{"id":1369,"date":"2020-08-25T09:58:09","date_gmt":"2020-08-25T12:58:09","guid":{"rendered":"https:\/\/revistamaranhaoturismo.com\/?p=1369"},"modified":"2020-08-25T09:58:09","modified_gmt":"2020-08-25T12:58:09","slug":"destaque-no-masterchef-arroz-de-cuxa-tem-raizes-africanas-no-ma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistamaranhaoturismo.com\/?p=1369","title":{"rendered":"Destaque no Masterchef, arroz de cux\u00e1 tem ra\u00edzes africanas no MA"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\">Entre ladeiras e escadarias, homens e meninos percorrem os casar\u00f5es do centro hist\u00f3rico de S\u00e3o Lu\u00eds (MA), com panelas de cux\u00e1 e peixe frito sobre a cabe\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim era vendida a pasta produzida pela vinagreira, que recebe o nome popular de cux\u00e1 em raz\u00e3o de uma das suas origens, a africana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na l\u00edngua mandinga, falada na Guin\u00e9, o termo\u00a0<em>Kutx\u00e1\u00a0<\/em>significa quiabo-de-angola ou vinagreira. As negras escravizadas trazidas da regi\u00e3o de Guin\u00e9, na metade do s\u00e9culo XVIII, tamb\u00e9m abasteciam as mesas de fam\u00edlias portuguesas com pratos feitos \u00e0 base do cux\u00e1, entre eles o mais popular: arroz de cux\u00e1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O prato foi destaque no epis\u00f3dio desta ter\u00e7a-feira (18), no programa Masterchef, atendendo ao pedido da cantora maranhense Alcione. \u201cO meu prato preferido s\u00f3 existe em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o [&#8230;] n\u00e3o tem melhor. S\u00f3 comer e pedir perd\u00e3o para Deus\u201d, disse ela. No mesmo instante, maranhenses vibraram nas redes sociais, mas logo se desapontaram ao perceber que os cozinheiros n\u00e3o sabiam executar o prato t\u00edpico.\u00a0<\/span><\/p>\n<div data-oembed-url=\"https:\/\/twitter.com\/thur_ss\/status\/1295913218825650178\">\n<div>\n<div class=\"twitter-tweet twitter-tweet-rendered\"><iframe id=\"twitter-widget-0\" class=\"\" title=\"Twitter Tweet\" src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/embed\/index.html?creatorScreenName=Brasil_de_Fato&amp;dnt=true&amp;embedId=twitter-widget-0&amp;frame=false&amp;hideCard=false&amp;hideThread=false&amp;id=1295913218825650178&amp;lang=pt&amp;origin=https%3A%2F%2Fwww.brasildefato.com.br%2F2020%2F08%2F24%2Fdestaque-no-masterchef-arroz-de-cuxa-tem-raizes-africanas-no-ma&amp;siteScreenName=Brasil_de_Fato&amp;theme=light&amp;widgetsVersion=223fc1c4%3A1596143124634&amp;width=550px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-tweet-id=\"1295913218825650178\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Feito de vinagreira cozida e refogada com cebolinha, tomate, gergelim, camar\u00e3o seco, farinha seca e outros temperos, se torna uma mistura de influ\u00eancias das culin\u00e1rias africanas, ind\u00edgenas e portuguesas, com toques \u00e1rabes do arroz e do gergelim. E assim como pedido pela cantora Alcione, em geral, \u00e9 servido como acompanhamento para mariscos e peixes, motivo que o leva a ser mais consumido no litoral do estado. \u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><span style=\"color: #000000;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/861babcc449945d2210f11f24195a13f.jpeg\" \/><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">A av\u00f3 do chefe Gopa Kumara fazia a receita nos tradicionais pil\u00f5es de madeira. \/ J\u00falia Ara\u00fajo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O chefe maranhense Gopa Kumara, especializado em culin\u00e1ria vegetariana, aposta na receita como uma das mais vers\u00e1teis e nutritivas da culin\u00e1ria do Maranh\u00e3o, apesar de ele n\u00e3o utilizar o tradicional camar\u00e3o seco. Ele esclarece que o prato t\u00edpico \u00e9 uma mistura de duas receitas que conversam entre si, mas tamb\u00e9m s\u00e3o consumidas separadas, o cux\u00e1 e o arroz de cux\u00e1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Existe o cux\u00e1, que \u00e9 uma pasta feita \u00e0 base da folha de vinagreira e existe o arroz de cux\u00e1, que \u00e9 a mistura do arroz com esse cux\u00e1. O cux\u00e1 tem como um dos ingredientes principais a nossa vinagreira, uma mistura que tem liga\u00e7\u00f5es com algumas culturas de outros pa\u00edses, como \u00e1rabe, portuguesa e africana.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/05\/12\/aprenda-a-fazer-arroz-de-cuxa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::\u00a0Aprenda a fazer arroz de cux\u00e1, prato t\u00edpico do Maranh\u00e3o ::<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>CUX\u00c1<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><span style=\"color: #000000;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/3d02af09c48c31d06ccf49e91837420c.jpeg\" \/><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O cux\u00e1 \u00e9 destaque em v\u00e1rios pratos do card\u00e1pio maranhense na Feira do MST, em SP. \/ Mariana Castro<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">De acordo com Sebasti\u00e3o Cardoso J\u00fanior, antrop\u00f3logo e gestor de comunidades tradicionais de matrizes africanas e povos ciganos da Secretaria Extraordin\u00e1ria de Igualdade Racial do Maranh\u00e3o (SEIR), o cux\u00e1\u00a0ganha ainda mais destaque no estado durante a semana santa, em raz\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica dos colonizadores portugueses de comer peixes e mariscos e tamb\u00e9m em alguns cultos de matriz africana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">&#8220;\u00c9 tamb\u00e9m uma mistura da nossa matriz africana com a ind\u00edgena, mas tamb\u00e9m \u00e9 utilizada em algumas casas de culto. N\u00e3o tem uma comida espec\u00edfica para os orix\u00e1s, mas se usa tamb\u00e9m nesse per\u00edodo, e normalmente o cux\u00e1 \u00e9 servido com arroz branco e acompanhado de torta de camar\u00e3o, torta de caranguejo, o peixe frito em si&#8221;, explica Sebasti\u00e3o. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=1421538437894116\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">::\u00a0Receita de Arroz de Cux\u00e1 com Camar\u00e3o Seco ::<\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A pesquisadora e membro da Comiss\u00e3o Maranhense de Folclore (CMF) Zelinda Lima, hoje aos 94 anos de idade, h\u00e1 mais de dez anos defende com firmeza que o cux\u00e1 seja certificado como bem cultural imaterial do estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A solicita\u00e7\u00e3o foi feita ao\u00a0Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Iphan<\/a>), \u00f3rg\u00e3o federal, ainda durante sua participa\u00e7\u00e3o ativa na Comiss\u00e3o Maranhense de Folclore e divulgada no\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/fdocumentos.tips\/document\/boletim-da-cmf-no-38-agosto-2007-issn-1516-1781-2-boletim-38-agosto-2007.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Boletim n\u00ba 38<\/a>\u00a0do \u00f3rg\u00e3o, em 2007 e teve seu registro indeferido, por falta de fundamenta\u00e7\u00e3o da proposi\u00e7\u00e3o sobre as refer\u00eancias culturais, conforme o\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/uploads\/legislacao\/Decreto_n_3.551_de_04_de_agosto_de_2000.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Decreto 3.551\/2000<\/a>\u00a0e o\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.senado.leg.br\/atividade\/const\/con1988\/CON1988_05.10.1988\/art_216_.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo 216<\/a>\u00a0da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que tratam da institui\u00e7\u00e3o de bens culturais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cPleiteamos o registro como bem cultural imaterial, porque n\u00e3o se trata t\u00e3o somente de um acepipe comum da culin\u00e1ria maranhense, \u00e9 nosso retrato, nossa cara, nossa identidade, resultante do caldeamento ind\u00edgena, portugu\u00eas e africano nesta parte do Brasil, entre a Amaz\u00f4nia e o Nordeste, participante de ambos e t\u00e3o diferente\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">De acordo com Neto Azile, superintendente de Patrim\u00f4nio Imaterial da Secretaria de Estado de Cultura\u00a0(<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/cultura.ma.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SECM<\/a><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/cultura.ma.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A<\/a>), apesar de ser um bem tradicional de culin\u00e1ria maranhense que poderia ter o registro solicitado, n\u00e3o h\u00e1 pedido\u00a0formalizado no \u00f3rg\u00e3o estadual at\u00e9 ent\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ele explica\u00a0que para isso\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio formalizar um pedido ao secret\u00e1rio, que envia ao departamento de patrim\u00f4nio imaterial para que analise os argumentos que justifiquem o pedido. Caso o pedido seja procedente, \u00e9 aberto um processo de registro, que vai desde pesquisas iniciais at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de um dossi\u00ea do bem a ser julgado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apesar disso, a paix\u00e3o dos maranhenses pelo cux\u00e1 j\u00e1 est\u00e1 registrada em versos e m\u00fasicas.\u00a0Bem longe das terras ludovicenses, o poeta maranhense Arthur Azevedo fez do seu lamento de saudade, poesia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>\u201cEu tenho muitas saudades \/ Da minha terra querida\u2026<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>\/ Onde atravessei a vida \/\u00a0O melhor tempo foi l\u00e1. \/<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Choro os folguedos da inf\u00e2ncia \/ E os sonhos da adolesc\u00eancia; \/\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Mas\u2026 choro com mais frequ\u00eancia \/ O meu arroz de cux\u00e1\u201d<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre ladeiras e escadarias, homens e meninos percorrem os casar\u00f5es do centro hist\u00f3rico de S\u00e3o Lu\u00eds (MA), com panelas de cux\u00e1 e peixe frito sobre a cabe\u00e7a.\u00a0 Assim era vendida a pasta produzida pela vinagreira, que recebe o nome popular de cux\u00e1 em raz\u00e3o de uma das suas origens, a africana. 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