Qualificação, produtividade e retenção de profissionais ganham peso nas estratégias para ampliar a competitividade e os resultados da indústria
SÃO LUÍS – A gestão da mão de obra tem impacto direto nos custos e na produtividade das empresas. Déficit de qualificação, rotatividade de funcionários, absenteísmo e dificuldade de contratação estão entre os fatores que comprometem o desempenho industrial. A falta de formação técnica adequada cria obstáculos à produtividade, enquanto faltas e atrasos afetam o ritmo das equipes, os prazos e a qualidade, além de ampliarem o retrabalho.
Nesse cenário, a rotatividade representa um custo que pode ser mensurado pelas empresas. A substituição de um trabalhador envolve despesas e esforços com recrutamento e seleção, integração e treinamento, além da redução da produtividade durante a curva de aprendizagem. A conta também inclui a sobrecarga dos profissionais que permanecem na empresa enquanto a vaga está aberta e os custos associados a erros, retrabalho e perda de qualidade durante o período de adaptação.
A capacitação, por outro lado, pode ser tratada como investimento com retorno mensurável. Trabalhadores tecnicamente preparados tendem a reduzir erros e retrabalho, utilizar melhor matérias-primas e insumos e contribuir para a redução de acidentes, afastamentos e paradas não planejadas. As empresas deveriam calcular, inclusive, o prazo de retorno do treinamento a partir da relação entre o valor investido e o ganho mensal obtido com o aumento da produtividade.
A atração e a retenção de profissionais também exigem estratégias que vão além do salário. Plano de carreira, segurança do trabalho e clima organizacional são elementos capazes de reduzir a busca por oportunidades externas, afastamentos, absenteísmo e erros. Carlos Jorge Taborda, coordenador do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), lembrou que para as micro e pequenas empresas, que nem sempre conseguem competir com grandes indústrias pela remuneração, diferenciais como proximidade com a liderança, formação interna, reconhecimento e autonomia podem contribuir para manter profissionais e desenvolver talentos dentro do próprio negócio.
A disponibilidade de trabalhadores qualificados ultrapassa, ainda, os limites de cada empresa e passa a integrar a competitividade do próprio território. “Ao decidir onde realizar novos investimentos, a indústria considera fatores como infraestrutura, logística e incentivos fiscais, mas também avalia a existência de mão de obra qualificada no local. Nesse contexto, investir na formação de pessoas torna-se uma estratégia não apenas para elevar a produtividade das empresas já instaladas, mas também para fortalecer a capacidade regional de atrair novos empreendimentos industriais”, explicou o coordenador do Observatório da Indústria.
Carlos Jorge defende que a mão de obra é o verdadeiro motor da economia, especialmente no setor industrial. Para ele, a produção nasce das pessoas e do nível de comprometimento, qualificação, valorização e segurança que recebem no ambiente de trabalho. “O trabalhador não deve ser visto como custo, mas como fator de competitividade para as empresas”, frisou.
Ele destacou ainda que a relação entre empresa e empregado precisa ser de independência e harmonia, já que um não prospera sem o outro. O coordenador observou que cada indústria tem características próprias, com rotinas e jornadas diferentes, e que cabe às empresas encontrar formas saudáveis de organização do trabalho, capazes de beneficiar tanto a produtividade quanto o bem-estar dos trabalhadores. “Um ambiente saudável é aquele em que o profissional atua sem riscos físicos ou prejuízos à saúde mental”, realçou.
O coordenador do Observatório da Indústria apontou mecanismos que podem fortalecer essa relação, como ações de qualificação e programas de proteção ao trabalhador. Ele citou o papel do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-MA) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MA) na formação e desenvolvimento de pessoas, e do Serviço Social da Indústria (SESI-MA) na preservação da saúde física e psicológica dos empregados. Além disso, defendeu que as empresas devem abrir espaço para sugestões e questionamentos dos trabalhadores, acolhendo ideias que possam melhorar processos e criar uma cultura de escuta e diálogo permanente.
Fonte: Ascom- Fiema














